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28 de Maio de 2018 | Segunda-feira

Números mostram que discriminação contra a mulher é alarmante no Brasil 


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Boletim 1671 - Salvador, 07 de março de 2018 

Em 8 de março de 1910, a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, instituiu o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Historiadores divergem da origem dessa data, sendo a ideia mais comum a de que seria uma homenagem às 130 tecelãs mortas em um incêndio numa fábrica de roupas em Nova Iorque, durante uma greve em 1857. Hoje, diversos estudiosos questionam essa tese. 

Porém, independente do fato que gerou a instituição da data (veja uma cronologia de fatos abaixo), o certo é que o 8 de Março se consolidou como uma data de luta das mulheres em todo o mundo. O Sindsefaz, mais uma vez, aproveita a passagem do Dia Internacional da Mulher para, numa ação contínua, promover a conscientização, que deve envolver tanto as mulheres como também os homens, para vencermos males como a discriminação, assédio moral e sexual,  violência física, psicológica, sexual e patrimonial.

Veja aqui a programação do Sindicato para o 8 de Março, em Salvador, Vitória da Conquista e Feira de Santana.

Em pleno século da ultra-tecnologia, ainda somos obrigados a colocar a luta pela emancipação, respeito e construção da igualdade de gênero como uma prioridade da ação política e sindical. É só dar uma olhada na Sefaz-BA, que é bem próximo de nós, para percebermos que, mesmo formada por 40% de mulheres, os cargos de mando são majoritariamente ocupados por homens. 

Essa é uma realidade que, sejamos justos, é apenas a reprodução de uma relação percebida em todo o mercado de trabalho, ademais, enraizada em nossa sociedade. Uma situação tão naturalizada que um político que abre a boca em uma entrevista na TV para dizer que não contrataria uma mulher por ser ela menos competente que os homens, transita nas pesquisas eleitorais para Presidência da República com 16% a 20% das intenções de voto. 

Discriminação
É no mercado de trabalho que se observa a face cruel da discriminação de gênero. As mulheres percebem um salário equivalente a 74,5% do percebido pelos homens. Em números exatos, considerando o rendimento médio do trabalhador no Brasil, a mulher recebe R$ 500,00 a menos que os homens. Números injustos, se considerarmos a dupla jornada feminina. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, revela que se somarmos a jornada de trabalho mais a doméstica, a mulher trabalha em média 56 horas e 42 minutos por semana, enquanto os homens trabalham menos, 51 horas e 36 minutos. 

A discriminação ainda tem uma outra faceta, já citada acima. Segundo levantamento do GPDG (Grupo de Pesquisas em Direito e Gênero) da Fundação Getúlio Vargas, realizado até 2012 com 480 empresas listadas na Bolsa, as mulheres ocupavam apenas 7,7% dos cargos executivos. 

Estudo mais recente, “Women in Business 2015”, da consultoria Grant Thornton, mostra que 57% das empresas brasileiras não possuem mulheres em cargos de liderança. A pesquisa foi feita com 5.406 empresas de diversos países, sendo 150 brasileiras. O Brasil ficou em terceiro lugar no ranking dos países que menos promovem mulheres a cargos de liderança, atrás de Japão (66%) e Alemanha (59%).

Outro problema a ser observado é o preconceito existente na contratação. Mulheres com filhos e/ou casadas (propensas a engravidar), ainda sofrem rejeição na hora da disputa pela vaga no mercado de trabalho. O currículo pode até ser melhor, mas estas duas características, apesar de não especificadas, são decisivas no momento em que empresas de recrutamento ou setores de Recursos Humanos definem a nova contratação.

Violência
Mesmo com o advento da Lei Maria da Penha, que tornou as penas mais duras contra os agressores, os dados da violência contra as mulheres ainda são alarmantes no Brasil. E isso considerando que as estimativas são de apenas 30% do total as notificações efetivamente feitas dos casos ocorridos. 

Segundo a Fundação Perseu Abramo, no país ocorrem 5 espancamentos a cada 2 minutos contra a mulher. Já um balanço do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), de 2015, mostra relatos de 179 agressão por dia. O 9º Anuário da Segurança Pública/2015 mostrou que acontece 1 estupro a cada 11 minutos e o Ipea diz que acontece 1 feminicídio (assassinato por ser mulher) a cada 90 minutos (2013). 

Influência política
A presença das mulheres na política também é um indicador da discriminação. Apesar do aumento de candidatas nas eleições para o Congresso Nacional em 2014, de 935 (2010) para 1755, as mulheres ainda estão sub-representadas no número de eleitas. Na Câmara Federal conta com apenas 51, ou seja, 9,9% dos 513 deputados federais e 12 dos 81 senadores, 14,8%. Em 12 estados, as mulheres deputadas não aparecem entre os 10 mais votados. Em quatro estados não foi eleita sequer uma representante feminina como deputada federal. Dos 27 estados brasileiros, apenas uma mulher foi eleita governadora. 

Um levantamento realizado pela União Interparlamentar (UIP) colocou o Brasil na 131ª posição entre 189 países, ao relacionar o número de cadeiras ocupadas por mulheres na Câmara dos Deputados. É o pior índice da América do Sul. Sem mandatos ou influência política relevantes, muito da agenda feminista progressista fica comprometida. Um exemplo disso foi o desarquivamento do projeto que cria o “Dia do Orgulho Heterossexual”, de autoria do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso, bem como outro projeto que prevê a regulamentação de prisão de até 10 anos para médicos que auxiliarem mulheres a fazer aborto.

Luta continua
Por conta dessa realidade e dos números que observamos é que o Sindsefaz e todo o movimento sindical aproveita este momento como uma passagem privilegiada para a denúncia e a conclamação para que todos os trabalhadores – e principalmente os homens - também contribuam para avançarmos neste terreno. 

Somos uma categoria com um nível de formação superior à média dos trabalhadores brasileiros, composta por profissionais com diferentes formações de nível superior, a maioria com pós-graduação. Uma condição que nos permite mais informação e poder de influência mesmo ao tratar de temas sensíveis como o da discriminação de gênero. 

Não devemos abrir mão de cumprir este papel. O Sindsefaz conta com você. Nossos parabéns a todas as fazendárias: auditoras, agentes de tributos, técnicos administrativos e pensionistas. E nossa convocação para a presença na Marcha das Mulheres, nesta quinta (08), 13h, com concentração na Praça da Piedade.

Datas básicas sobre a origem do 8 de Março

1900-1907 
Movimento das Sufragistas pelo voto feminino nos EUA e Inglaterra.

1907 
Em Stuttgart, é realizada a 1ª Conferência da Internacional Socialista com a presença de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai. Uma das principais resoluções: "Todos os partidos socialistas do mundo devem lutar pelo sufrágio feminino."

1908 
Em Chicago (EUA), no dia 3 de maio, é celebrado, pela primeira vez, o Woman´s Day. A convocação é feita pela Federação Autônoma de Mulheres.

1909 
Novamente em Chicago, mas com nova data, último domingo de fevereiro, é realizado o Woman's Day. O Partido Socialista Americano toma a frente.

1910 
A terceira edição do Woman's Day é realizada em Chicago e Nova Iorque, chamada pelo Partido Socialista, no último domingo de fevereiro. Em Nova Iorque, é grande a participação de operárias devido a uma greve que paralisava as fábricas de tecido da cidade. Dos trinta mil grevistas, 80% eram mulheres. Essa greve durou três meses e acabou no dia 15/02, véspera doWoman's Day. Em maio, o Congresso do Partido Socialista Americano delibera que as delegadas ao Congresso da Internacional, que seria realizado em Copenhague, na Dinamarca, em agosto, defendam que a Internacional assuma o Dia Internacional da Mulher. Este deve ser comemorado no mundo inteiro, no último domingo de fevereiro, a exemplo do que já acontecia nos EUA. Em agosto, a 2ª Conferência Internacional da Mulher Socialista, realizada dois dias antes do Congresso, delibera que: "As mulheres socialistas de todas as nacionalidades organizarão (...) um dia das mulheres específico, cujo principal objetivo será a promoção do direito a voto para as mulheres". Não é definida uma data específica.

1911 
Durante uma nova greve de tecelãs e tecelões, em Nova Iorque, morrem 134 grevistas, a causa de um incêndio devido a péssimas condições de segurança. Na Alemanha, Clara Zetkin lidera as comemorações do Dia da Mulher, em 19 de março. (Alexandra Kollontai diz que foi para comemorar um levante, na Prússia, em 1848, quando o rei prometeu às mulheres o direito de voto). Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 26/02 e na Suécia, em 1º de Maio.

1912 
Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 25/02.

1912 e 1913 
Na Alemanha, o Dia da Mulher é comemorado em 19/3.

1913 
Na Rússia é comemorado, pela primeira vez, o Dia da Mulher, em 3/3.

1914 
Pela primeira vez, a Secretaria Internacional da Mulher Socialista, dirigida por Clara Zetkin, indica uma data única para a comemoração do Dia da Mulher: 8 de Março. Não há explicação sobre o porquê da data. A orientação foi seguida na Alemanha, Suécia e Dinamarca. Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher foi comemorado em 19/03.

1917 
No dia 8 de Março de 1917 (27 de fevereiro no calendário russo) estoura uma greve das tecelãs de São Petersburgo. Esta greve gera uma grande manifestação e dá início à Revolução Russa.

1918  
Alexandra Kollontai lidera, em 8/3, as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, em Moscou, e consagra o 8/3 em lembrança à greve do ano anterior, em São Petersburgo.

1921 
A Conferência das Mulheres Comunistas aprova, na 3ª Internacional, a comemoração do Dia Internacional Comunista das Mulheres e decreta que, a partir de 1922, será celebrado oficialmente em 8 de Março.

1955 
Dia 5/3, L´Humanité, jornal do PCF, fala pela primeira vez da greve de 1857, em Nova Iorque. Não fala da morte das 129 queimadas vivas.

1966 
A Federação das Mulheres Comunistas da Alemanha Oriental retoma o Dia Internacional das Mulheres e, pela primeira vez, conta a versão das 129 mulheres queimadas vivas.

1969 
Nos Estados Unidos, o movimento feminista ganha força. Em Berkley, é retomada a comemoração do Dia Internacional da Mulher.

1970 
O jornal feminista Jornal da Libertação, em Baltimore, nos EUA consolida a versão do mito de 1857.

1975 
A ONU decreta, 75-85, a Década da Mulher.

1977 
A Unesco encampa a data 8/3 como Dia da Mulher e repete a versão das 129 mulheres queimadas vivas.

1978 
O prefeito de Nova Iorque decreta dia de festa, no município, o dia 8 de Março, em homenagem às 129 mulheres queimadas vivas.


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