23/12/14 – A Tarde Online
Passageiros reclamam da extinção de linhas de ônibus
Luan Santos
Quase um ano após a extinção de 16 linhas do sistema de transporte coletivo de Salvador, moradores dos bairros de Mussurunga e Pau da Lima, reclamam que estão passando por uma série de transtornos por conta da falta de ônibus.
Veículos mais lotados, maior tempo de espera nos pontos e, consequentemente, deslocamento mais demorado entre a origem e o destino são as principais queixas.
Com a medida, a ideia da prefeitura era que as pessoas utilizassem o benefício do bilhete único (que permite o embarque em dois ônibus) e, desta forma, pudessem fazer viagens mais rapidamente, uma vez que não precisariam percorrer longos trajetos. Na prática, a medida parece não estar funcionando.
Em Mussurunga, moradores chegaram a fazer um abaixo-assinado, reunindo mais de mil assinaturas para questionar a supressão de linhas que partiam do bairro para Lapa, São Joaquim, Campo Grande e Barra.
O eletricista Gilson Lopes, 53, lider comunitário do bairro, entregou o documento ao secretário municipal de Urbanismo e Transporte, Fábio Mota, na última terça-feira, durante uma audiência pública para discutir o sistema de ônibus da capital baiana.
“As pessoas têm que andar mais de dois quilômetro para a Estação Mussurunga para pegar ônibus”, conta. Ele diz que outros veículos fazem o transporte dentro do bairro para o terminal.
“O problema é que eles demoram muito. Às vezes, ficamos meia hora no ponto, para ainda chegar na estação e esperar ainda mais pelo segundo ônibus”, aponta o líder comunitário.
Pau da Lima
No bairro de Pau da Lima, onde as linhas para o Terminal da França (R1 e R2) também foram suprimidas. as queixas também são frequentes.
Segundo moradores, as alternativas são andar até o final de linha de São Marcos (onde podem utilizar um veículo que vai para aquele destino) ou pegar um ônibus no bairro até a avenida Paralela e, de lá, outro.
“Viajo sempre no ferryboat. Antes, pegava um ônibus no fim de linha [de Pau da Lima] para São Joaquim. Agora, tenho que pegar dois, que normalmente estão mais cheios e demoram”, lamenta a camareira Cristiane Dionísio, 28.
A autônoma Mariane Silva, 24, diz que prefere andar até o final de linha de São Marcos: “Gasto 15 minutos até lá, é ruim, ainda mais no verão, com todo esse calor”.

