Boletim Eletrônico nº. 1258 – Salvador, 21 de março de 2016

100 mil nas ruas de Salvador se opõem ao golpe

Mais uma vez a capital baiana demonstrou sua capacidade de indignação e de se colocar na linha de frente da defesa da democracia. Na sexta (18), 100 mil pessoas se reuniram no centro da cidade para dizer NÃO AO GOLPE contra a presidente Dilma, que vem sendo urdido pelas forças conservadoras e antidemocráticas do Brasil, um caldo que inclui políticos, setores do Judiciário, grande imprensa e mais uma gama de segmentos atrasados e reacionários da sociedade. O movimento, que teve a adesão de vários fazendários, reuniu o triplo de pessoas da passeata ocorrida cinco dias antes, na Barra, pelo impeachment.
Mais do que ir às ruas defender o PT, Dilma ou Lula, os 100 mil que se reuniram em Salvador – bem como outras centenas de milhares que foram às ruas em várias outras cidades -, mostraram que não querem um país que fique à mercê da justiça usada de forma conveniente. Cem mil pessoas na rua significou um recado aos golpistas do plantão: não aceitaremos quebra da institucionalidade.
Lamentavelmente, amplos setores da política, que deveriam se espantar com o caldo reacionário que tem se erguido nas manifestações contra o governo – fascismo, racismo, xenofobia, homofobia etc – incentivam tais práticas. Agora, sob a omissão da Polícia Federal, do MP e do Judiciário, páginas que convocam manifestações a favor do impeachment na internet têm pregado a agressão física a esquerdistas, além de incentivar a destruição dos partidos políticos de esquerda, divulgando os endereços de suas sedes para ataques criminosos (leia mais aqui). E enquanto a escala de ódio ganha espaço, políticos como FHC, cujo governo foi eivado de escândalos não investigados, concede entrevista incentivando o golpe.
Moro atropela a Lei
Pior, com o vale-tudo instalado, o próprio juiz responsável pela Operação Lava Jato atropela a lei, promove vazamentos para veículos de comunicação, quebra o sigilo da investigação e expõe a vida pessoal de investigados, trazendo a público o resultado de grampos telefônicos questionáveis e/ou que deveriam constar apenas nos autos do processo. Já no STF, que se encontra indiferente às ilegalidades e excessos do juiz Sérgio Moro, um ministro, Gilmar Mendes, prega abertamente o golpe político contra o governo.
Independente de erros e malfeitos cometidos no âmbito do governo petista, a Polícia Federal e o Ministério Público nunca tiveram tanta autonomia e liberdade para investigar e propor à justiça as punições adequadas. Entretanto, a maioria da sociedade não quer punições políticas, nem caça às bruxas, bem como não aceita a criminalização de um partido, enquanto outros são protegidos e poupados no tribunal de inquisição que instalou na 1ª Vara da Justiça Federal de Curitiba.
Há uma postura hipócrita de um segmento da sociedade, que bate panela contra a corrupção no governo federal, mas não realiza um único protesto contra escândalos como o metrolão ou o merendão, no governo de São Paulo. Um público que bate panela nos bairros nobres de Salvador, mas se cala quando a Prefeitura dirigida pelo DEM libera por cinco anos uma praça pública para o primo do prefeito ACM Neto instalar um camarote no Carnaval; ou quando dezenas de milhões desviados pelo ex-secretário Alexandre Paupério são esquecidos pela mídia adesista, por uma Câmara de Vereadores “apiada” e um Ministério Público omisso e convenientemente calado. Ou o silêncio à falta de investigação sobre um helicóptero pertencente a um político ligado ao senador Aécio Neves, apanhado com 450 kg de pasta de cocaína, assim como as delações feitas por cinco delatores diferentes, sobre as peripécias corruptas do garotão mineiro do PSDB.
O Brasil precisa avançar, principalmente fazendo cumprir a lei. Mas isso tem de valer para todos, com combate sério e imparcial à corrupção, em todas as esferas de governo. Em paralelo, fortalecer suas instituições para barrar tentativas de golpe. O retrocesso que se avizinha caso seja aprovado o impeachment da presidenta Dilma e a prisão arbitrária do ex-presidente Lula, não é aceitável em qualquer hipótese. E, assim como 100 mil foram às ruas sexta (18), outros tantos estarão a postos para defender o respeito à Constituição e aos 54 milhões de votos que determinaram o resultado eleitoral de 2014.

Sindsefaz,
Avançar na Luta
