Primeiro painel do seminário do Sindsefaz reúne José Kobori e Nathan Caixeta para discutir tributação, desenvolvimento e enfrentamento à exclusão socioeconômica
Qual a relação entre o sistema tributário e as desigualdades existentes no Brasil? A forma como o Estado arrecada recursos pode contribuir para reduzir a exclusão social? E qual o papel da Administração Tributária na construção de uma sociedade mais justa? Essas questões estarão no centro do primeiro painel do seminário “Diálogos Produtivos: Um olhar do Sindsefaz para a Bahia do futuro”, que acontece no próximo 11 de setembro, a partir das 13h, no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador.
Com o tema “Cidadania Fiscal no enfrentamento à exclusão socioeconômica”, o painel terá como convidados José Kobori e Nathan Luis Caixeta Vicentin. O presidente da Fenafisco, Francelino Valença, participará como debatedor.
O seminário integra uma agenda de debates que o Sindsefaz vem promovendo sobre o futuro da Administração Tributária, da Bahia e dos trabalhadores. A proposta é ampliar a discussão para além das questões corporativas e colocar a categoria diante de temas relacionados ao desenvolvimento econômico, às desigualdades, às políticas públicas e ao papel desempenhado pelo Estado.
Tributação traz cidadania
A escolha da cidadania fiscal como tema do primeiro painel parte de uma questão essencial: arrecadar não é um fim em si mesmo. Os tributos financiam saúde, educação, segurança, infraestrutura, assistência social e as demais políticas públicas. Ao mesmo tempo, a maneira como a carga tributária é distribuída entre diferentes segmentos da sociedade pode contribuir para diminuir ou aprofundar desigualdades.
A relação entre economia, Estado, desigualdade e desenvolvimento está presente em debates recentes dos quais José Kobori tem participado. Especialista em finanças, professor, escritor e palestrante, ele esteve, em agosto, na Universidade de Brasília, onde debateu economia mundial, desigualdade e desenvolvimento em tempos de crise. Em junho, durante a Conferência Nacional das Bancárias e dos Bancários, analisou a financeirização da economia e os obstáculos que esse processo impõe ao desenvolvimento brasileiro.
No Diálogos Produtivos, essa reflexão ganha uma dimensão diretamente relacionada à atuação dos fazendários, para discutir quem financia o Estado, como esses recursos são arrecadados e de que maneira a política fiscal pode contribuir para uma sociedade menos desigual.
Combater a exclusão
O economista e pesquisador Nathan Luis Caixeta Vicentin acrescentará ao debate uma abordagem relacionada à proteção social e às políticas públicas. Mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, Nathan estudou em sua dissertação a evolução do sistema brasileiro de transferências de renda e seus impactos sobre a estrutura social. O trabalho analisa essas políticas como mecanismos de universalização de direitos, com destaque para seu papel no enfrentamento à pobreza, à miséria e à fome.
A presença de Francelino Valença, presidente da Fenafisco, como debatedor permitirá aproximar essas reflexões da realidade das administrações tributárias estaduais e do trabalho desenvolvido pelos servidores do Fisco. A ideia é estabelecer uma conexão que nem sempre aparece no debate público, de como a Administração Tributária, justiça fiscal e cidadania fazem parte de uma mesma discussão. Sem recursos públicos não há políticas sociais; sem uma arrecadação eficiente, diminui a capacidade do Estado de atuar; e sem justiça na distribuição da carga tributária, as desigualdades podem ser reproduzidas pelo próprio sistema.
Fisco e sociedade
Para o Sindsefaz, esse debate ganha ainda mais importância diante das profundas mudanças provocadas pela Reforma Tributária. A transformação do sistema de tributação do consumo e a reorganização das administrações tributárias colocam novos desafios para os servidores e para as entidades que representam a categoria.
Por isso, o Sindicato vem defendendo que a discussão sobre o futuro da Administração Tributária não fique limitada à tecnologia, às novas estruturas administrativas ou às atribuições das carreiras. É necessário discutir também para que sociedade essa Administração Tributária trabalha e qual papel ela deve desempenhar no desenvolvimento do país.
É essa perspectiva que orienta o primeiro painel do Diálogos Produtivos, com vistas a aproximar tributação e cidadania, discutindo como um Estado fiscalmente estruturado pode contribuir para enfrentar a exclusão socioeconômica.
O seminário será realizado no dia 11 de setembro, a partir das 13h, no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador. As inscrições estão disponíveis no site do Sindsefaz.

Salvador, 02 de Setembro de 2026 | Boletim 3463

