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Charles Alcantara – Quem disse que não tem dinheiro?

Quem disse que não tem dinheiro?

Charles Alcantara*

É inegável que os cofres públicos são impactados por diversas variáveis, como crise financeira interna e externa, instabilidade política, entre outras tantas. E as explicações da crise no orçamento dos estados costumam tratar a questão apenas do ponto de vista da saída de recursos. Acusa-se a remuneração dos servidores, os gastos com políticas sociais… Mas a saída para o problema pode estar exatamente na outra ponta: a entrada de recursos, ou seja, a arrecadação de tributos.

A Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital) fez um levantamento inédito da dívida ativa dos estados a partir dos balanços referentes aos exercícios de 2010 e 2016. Um dos resultados que mais nos impressiona é a soma do estoque da dívida ativa, que está na casa dos R$ 770 bilhões. Se somarmos à dívida da União, divulgada em novembro de 2017, de R$ 1,8 trilhão, teremos a soma extraordinária de R$ 2,5 trilhões que deixaram de entrar nos cofres públicos. Para se ter uma ideia, esse número é mais de 500% superior ao que o governo federal iria economizar em 10 anos com a Reforma da Previdência.

Frente a uma questão tão urgente, vale a pergunta “porque a Fenafisco teve de fazer esse levantamento?” E a resposta é simples: porque essas informações são inacessíveis ao cidadão comum. Apesar de o Código Tributário Nacional (CTN), há mais de 50 anos, excluir expressamente a dívida tributária do alcance do sigilo, os estados não disponibilizam os números de forma clara ou até mesmo de forma alguma.

Ao contrário do que se espera, o sigilo é exceção e não regra. Não há justificativas para a falta de resposta a questões básicas, como “quem são?”, “quanto devem?”, “como está o trabalho das procuradorias na cobrança e execução das dívidas?”, “quais são e de quem são os valores que prescreveram pelo atraso ou falta de cobrança?”.

Para dar luz ao problema e divulgar o levantamento, a Fenafisco, em parceria com o Sindicato dos Servidores da Fazenda do Estado da Bahia (SindSefaz), está organizando a “Caravana da Transparência: quem disse que não tem dinheiro?”. A Caravana, que foi lançada em Belém, em dezembro de 2017, chega a Salvador com a mesma estratégia: promover intervenções urbanas que exponham os dados da dívida ativa estadual e nacional, além de palestras sobre o tema durante o Fórum Social Mundial, que ocorre até o dia 17 de março na capital Baiana.

É preciso que a sociedade saiba que a principal fonte de recursos dos governos está sendo negligenciada. Os agentes do Fisco têm feito seu trabalho, identificando quem são os devedores e os autuando. Agora, é preciso ir além e completar o serviço: recuperar os impostos pagos pela sociedade que lhe foram subtraídos pelo sonegador.

Comecemos por abrir a caixa-preta da dívida ativa tributária em todo o país.
Comecemos por transparência.

*Presidente da Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital)

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Mais de 100 pedidos de adesão a acordo de precatórios já foram registrados no Sindsefaz

Na primeira semana do período de adesão ao acordo de precatórios, o Sindsefaz registrou 110 solicitações presenciais protocoladas na sede da entidade. O balanço reúne os atendimentos realizados até esta sexta (27).

O edital foi divulgado pelo TJ-BA e prevê o pagamento de precatórios devidos pelo Estado com deságio de 40%, mediante adesão voluntária dos credores. O prazo oficial para adesão segue até 20 de março.

Para garantir tempo hábil de análise e cadastramento das informações, o Departamento Jurídico do Sindsefaz recebe as documentações até o dia 16 de março.

A entrega pode ser feita presencialmente, com atendimento por ordem de chegada e retirada de senha, ou por meio do e-mail acordotj.sindsefaz@gmail.com. Os documentos precisam estar em formato PDF, com tamanho máximo de 5 MB por arquivo. Não serão aceitas fotografias, e arquivos ilegíveis ou incompletos podem inviabilizar a adesão.

O Sindicato reforça a importância da leitura atenta do boletim informativo, que reúne as regras do edital e a lista de documentos exigidos. A conferência prévia é essencial para evitar pendências que possam comprometer o pedido.

Durante o período de 19 de fevereiro a 20 de março, o Departamento Jurídico permanece exclusivamente dedicado ao cadastro das adesões ao edital. Os demais atendimentos relacionados a outros processos e ações, salvo urgência legal, seguem suspensos até o encerramento do prazo.

Salvador, 27 de fevereiro de 2026 | Boletim 3330

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