Em matéria publicada na quarta (30), abordamos como a perda de participação no PIB do Nordeste e o enorme déficit do Estado na relação com as demais unidades federativas. Hoje falaremos dos índices alarmantes de pobreza da nossa população e como nosso per capita é baixo se comparado com a média nacional. Os dados e as informações constam do estudo “Transformações Estruturais na Economia Baiana Desde o Início do Século XXI”, encomendado pelo Sindsefaz ao professor e economista Juliano Goularti.
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Mesmo com avanços em programas de transferência de renda, a desigualdade social na Bahia continua alarmante. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita do estado é de R$ 28,5 mil por ano, o equivalente a apenas 57,3% da média nacional. A renda do trabalho também perdeu peso na economia estadual, e a pobreza segue atingindo 43,5% da população, com 14,2% em extrema pobreza.
Se por um lado o índice de Gini (medida de desigualdade) é um dos melhores do país — 0,49 contra 0,515 da média brasileira, muito em função de programas como o Bolsa Família —, por outro, a concentração de riqueza ainda é um entrave ao desenvolvimento. A Bahia continua enfrentando o que especialistas chamam de “armadilha de desenvolvimento”: baixa renda, baixa produtividade, forte dependência de commodities e limitada industrialização.
A maior parte das empresas baianas está enquadrada no Simples Nacional, o que indica preponderância de pequenos negócios com baixa capacidade de investimento e inovação. Além disso, o estado não consegue competir com economias mais avançadas no setor de serviços e tecnologia — áreas fundamentais para a geração de empregos de qualidade e formalização do mercado de trabalho.
A saída passa por investimentos em educação, inovação, infraestrutura e fomento a setores estratégicos, como energias renováveis, agronegócio sustentável e tecnologia da informação. Também é necessário fortalecer as políticas de inclusão produtiva, que aliem geração de emprego com justiça social e valorização do trabalhador.
Amanhã falaremos como a matriz baseada em comodities e a dificuldade logística impacta a nossa economia.

Salvador, 31 de julho de 2025 | Boletim 3221

