Inteligência artificial exige nova preparação dos servidores públicos, avalia Clemente

A inteligência artificial, a transformação digital e as mudanças aceleradas no mundo do trabalho estão impondo um novo desafio ao serviço público brasileiro: preparar continuamente seus servidores para uma realidade em permanente evolução. Essa é uma das principais reflexões apresentadas pelo economista e sociólogo Clemente Ganz Lúcio, durante o Encontro Nacional de Gestão de Pessoas (ENGP 2026), promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI).

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Para especialista, fortalecer o Estado passa pela valorização dos servidores públicos

Segundo Clemente, as novas tecnologias estão alterando profundamente a forma como o Estado presta serviços à população. No entanto, ele faz um alerta de que a transformação digital não pode ser confundida com a simples substituição das pessoas pelas máquinas. “A verdadeira transformação ocorrerá pela combinação inteligente entre capacidades humanas e capacidades tecnológicas”, afirma o especialista.

A reflexão conversa diretamente com um dos temas debatidos pelo Sindsefaz durante os seminários Diálogos Produtivos, realizados em Feira de Santana e Vitória da Conquista, que discutiram justamente os impactos da inteligência artificial sobre o trabalho, as carreiras públicas e a atuação das entidades sindicais.

A Inteligência Artificial também foi um dos seis temas discutidos no seminário “Reinventando o Futuro”, ocorrido na Chácara Baluarte, no dia 27 de março, durante as comemorações dos 30 anos da entidade. Na oportunidade, o professor da UNESP, Juliano Maurício de Carvalho, trouxe ao debate “os impactos da transformação digital no futuro das sociedades”, apresentando um panorama sobre como a IA já está presente no cotidiano, influenciando desde o uso de aplicativos até o consumo de informações. Ele alertou para os riscos relacionados à perda de autonomia, ao controle das plataformas digitais sobre comportamentos e às possíveis implicações para a soberania nacional.

Tecnologia amplia capacidades

Para Clemente Ganz Lúcio, a inteligência artificial representa uma oportunidade para ampliar a eficiência do Estado, desde que utilizada para apoiar o trabalho humano e não apenas para reduzir custos administrativos.

Segundo ele, as máquinas processam informações em grande velocidade, mas continuam sendo incapazes de substituir atributos essencialmente humanos. “A tecnologia amplia possibilidades. As pessoas definem propósitos, exercem julgamento, constroem relações de confiança, interpretam contextos complexos e dão sentido público às decisões”, prega.

Na Secretaria da Fazenda da Bahia, essa realidade já começa a fazer parte do cotidiano. O uso crescente de sistemas inteligentes, análise de dados e automação de processos exige servidores cada vez mais preparados para interpretar informações, tomar decisões e atuar em ambientes altamente tecnológicos.

Formação permanente

Para enfrentar esse cenário, Clemente defende que a qualificação profissional deixe de ser um evento isolado e passe a integrar permanentemente a gestão de pessoas. Segundo ele, as transformações tecnológicas, ambientais, demográficas e sociais ocorrerão em velocidade crescente, tornando indispensável um sistema contínuo de desenvolvimento de competências.

A análise reforça uma preocupação antiga do Sindsefaz, de precisarmos investir na formação permanente dos fazendários, preparando a categoria para um ambiente de trabalho em constante transformação.

Saúde mental

Outro aspecto destacado pelo pesquisador diz respeito aos impactos dessas mudanças sobre a saúde dos servidores. O crescimento dos casos de ansiedade, estresse, depressão e esgotamento profissional demonstra que modernizar o Estado também significa cuidar das pessoas que fazem a máquina pública funcionar.

Para Clemente, políticas de prevenção ao assédio, promoção da saúde e melhoria dos ambientes organizacionais deixaram de ser apenas iniciativas de bem-estar e passaram a integrar a própria estratégia de fortalecimento das instituições públicas.

Na avaliação do Sindsefaz, essa discussão ganha importância também na realidade da Secretaria da Fazenda da Bahia, onde a crescente complexidade das atividades e as mudanças organizacionais exigem ambientes de trabalho cada vez mais saudáveis e preparados para os desafios do século XXI.

Na próxima e última matéria, a série aborda outro tema defendido por Clemente Ganz Lúcio: a valorização das carreiras públicas, o fortalecimento do diálogo entre governo e servidores e o papel estratégico dos sindicatos na modernização do Estado.

Salvador, 30 de junho de 2026 | Boletim 3411

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