Rodrigo Orair e Rosembergue Valverde discutem desenvolvimento, política fiscal e os desafios econômicos do Estado no segundo painel do seminário do Sindsefaz
Como queremos encontrar a Bahia nas próximas décadas? Quais são os obstáculos que ainda precisam ser superados para que o Estado cresça, gere empregos, reduza desigualdades e ofereça melhores condições de vida à população? E qual a contribuição das políticas fiscal e tributária para alcançar esses objetivos?
Essas perguntas orientarão o segundo painel do seminário “Diálogos Produtivos: Um olhar do Sindsefaz para a Bahia do futuro”, que o Sindicato realiza no próximo 11 de setembro, a partir das 13h, no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador. Com o tema “Dialogando com a Bahia do futuro”, o painel reunirá os economistas Rodrigo Orair e Rosembergue Valverde, com mediação do presidente da Fenafisco, Francelino Valença.
O encontro faz parte da agenda de debates que o Sindsefaz vem promovendo para discutir não apenas as transformações da Administração Tributária, mas questões estratégicas para o desenvolvimento da Bahia e para o futuro dos trabalhadores.
Política fiscal e desenvolvimento
A presença de Rodrigo Orair permite trazer para o debate baiano algumas das principais questões nacionais envolvendo tributação e política fiscal. Economista, mestre em Teoria Econômica pela Unicamp e pesquisador de carreira do Ipea, Orair exerce atualmente a função de diretor de Programa da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda. Também foi diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal e possui ampla produção acadêmica sobre finanças públicas, tributação e as relações entre política fiscal, distribuição de renda e desenvolvimento.
Sua trajetória ganha especial importância em um momento no qual o Brasil começa a implementar uma profunda mudança em seu sistema tributário. Orair participou diretamente das discussões da Reforma Tributária no Ministério da Fazenda, permitindo que o painel examine também como o novo modelo poderá afetar estados e municípios e influenciar as políticas de desenvolvimento regional.
O debate interessa particularmente à Bahia. Reforma Tributária, investimentos públicos, capacidade de financiamento do Estado e distribuição regional dos recursos terão impacto sobre as possibilidades de desenvolvimento nas próximas décadas.
Olhar a partir da Bahia
Se Orair traz uma perspectiva nacional, Rosembergue Valverde de Jesus permitirá olhar essas questões a partir da própria realidade baiana. Economista e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Valverde é mestre em Economia e doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Paris 13, na França. Na UEFS, é docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Gestão, Organizações e Sociedade (PPGGOS), cujo projeto de criação foi coordenado por ele.
Sua produção acadêmica inclui estudos sobre desenvolvimento econômico e desigualdades regionais. Em trabalho publicado na Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, por exemplo, analisou a divisão inter-regional do trabalho e a concentração espacial da produção na economia brasileira.
Essa experiência oferece ao segundo painel uma oportunidade para discutir um problema particularmente importante para a Bahia. Crescer não basta se o desenvolvimento continuar concentrado territorialmente ou se não for capaz de produzir oportunidades e melhorar as condições de vida da população.
O Estado possui enorme diversidade econômica e territorial. Salvador e Região Metropolitana convivem com o Semiárido, o Oeste agrícola, os polos industriais, o turismo, a mineração, a agricultura familiar, a energia renovável e diferentes realidades econômicas no interior. Pensar a Bahia do futuro exige compreender essas diferenças e transformá-las em uma estratégia capaz de combinar crescimento, inclusão e redução das desigualdades regionais.
Tributação e futuro
Para o Sindsefaz, colocar essas questões em debate tem relação direta com o papel desempenhado pelos fazendários. Uma Administração Tributária eficiente garante recursos para as políticas públicas, combate a sonegação e a concorrência desleal e contribui para assegurar capacidade financeira ao Estado. Mas as mudanças decorrentes da Reforma Tributária exigirão também novas estruturas, tecnologias, qualificação e valorização dos servidores.
Por isso, o Sindicato considera necessário discutir simultaneamente o futuro da Administração Tributária e o futuro da Bahia. São questões que se encontram quando se debate financiamento público, desenvolvimento econômico, justiça fiscal e capacidade de atuação do Estado.
O Diálogos Produtivos nasce com essa perspectiva, para criar um espaço em que servidores e especialistas possam olhar além das questões imediatas e refletir sobre os desafios dos próximos anos.
Depois de discutir, no primeiro painel, a “Cidadania Fiscal no enfrentamento à exclusão socioeconômica”, o seminário amplia seu horizonte no segundo encontro e propõe uma pergunta fundamental: que Bahia queremos construir para o futuro?
O “Diálogos Produtivos: Um olhar do Sindsefaz para a Bahia do futuro” acontece no dia 11 de setembro, a partir das 13h, no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador. As inscrições podem ser feitas no site do Sindsefaz.

Salvador, 02 de Setembro de 2026 | Boletim 3464

