Reforma Tributária faz tecnologia, inteligência e conhecimento caminharem juntos

O profissional que atuará na fiscalização do IBS precisará combinar experiência de campo, domínio da legislação, análise de dados e inteligência artificial para enfrentar fraudes cada vez mais sofisticadas

Durante décadas, a imagem do fiscal esteve associada à conferência de documentos, à abordagem de veículos e ao combate direto à sonegação nas estradas. Essas atividades continuam essenciais. Mas a Reforma Tributária amplia significativamente o conjunto de competências exigidas dos profissionais responsáveis pela fiscalização do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Mais do que conhecer a legislação tributária, o fiscal do futuro precisará compreender cadeias logísticas, interpretar indicadores de risco, utilizar ferramentas de inteligência artificial e transformar grandes volumes de dados em decisões rápidas e precisas.

Segundo o Agente de Tributos Estaduais Fábio Barbosa, um dos autores do artigo A ressignificação das Auditorias no Trânsito de Mercadorias pela Reforma Tributária, a evolução tecnológica muda profundamente a forma de trabalhar, mas torna o conhecimento humano ainda mais relevante. “O servidor vai continuar precisando saber abordar um veículo, conferir carga, ler documento fiscal na hora e ter jogo de cintura numa rodovia. Mas vai precisar somar a isso leitura de indicadores de risco, entendimento dos fluxos econômicos e conhecimento de como a fraude acontece dentro da cadeia do IBS”, informa.

Conhecimento estratégico

A fiscalização do futuro será cada vez mais baseada em inteligência. Sistemas eletrônicos indicarão operações suspeitas, apontarão padrões de comportamento e selecionarão cargas com maior probabilidade de irregularidade. Caberá aos fiscais interpretar essas informações, definir prioridades e confirmar, em campo, se os indícios identificados pelos algoritmos realmente correspondem à realidade.

Essa mudança desloca parte do trabalho repetitivo para as ferramentas tecnológicas e amplia o espaço para atividades que dependem de análise crítica, experiência e julgamento técnico. Em vez de substituir pessoas, a tecnologia potencializa sua capacidade de atuação.

Formação permanente

Esse novo cenário reforça a importância da qualificação profissional. A atualização permanente deixa de ser apenas um diferencial e passa a integrar o próprio exercício da função fiscal. Temas como inteligência artificial, ciência de dados, monitoramento eletrônico, análise de risco, logística, cadeias produtivas e investigação de fraudes passam a fazer parte do cotidiano da Administração Tributária.

Na avaliação de Fábio Barbosa, essa transformação exige investimentos contínuos em capacitação. “O servidor vai precisar entender tanto de estrada quanto de sistema”, diz. A afirmação resume o perfil do profissional que a Reforma Tributária passa a exigir.

Tecnologia e experiência

Embora a inteligência artificial amplie significativamente a capacidade das administrações tributárias, ela continua limitada quando confrontada com situações que exigem percepção humana. Fraudes sofisticadas, inconsistências entre documentos e mercadorias, destinatários fictícios, alterações de rota e outras irregularidades continuam dependendo da atuação direta dos fiscais.

É justamente essa combinação entre tecnologia e experiência que permitirá maior eficiência na fiscalização do IBS. Enquanto os sistemas processam milhões de informações em poucos segundos, cabe ao servidor interpretar contextos, avaliar comportamentos e transformar dados em decisões.

Novo momento

Na Secretaria da Fazenda da Bahia, essa transformação representa uma oportunidade para fortalecer ainda mais a fiscalização do trânsito de mercadorias. As DATs, os postos fiscais e as equipes volantes deixam de atuar apenas como estruturas operacionais e passam a integrar um modelo de fiscalização orientado por inteligência, tecnologia e análise de risco.

Nesse ambiente, investir na formação e valorização dos fiscais significa fortalecer a própria capacidade do Estado de combater fraudes, proteger a arrecadação e garantir recursos para as políticas públicas.

Como demonstrou esta série especial, o futuro da fiscalização não será definido apenas por computadores mais rápidos ou sistemas mais sofisticados. Ele dependerá, sobretudo, da capacidade das pessoas de utilizar essas ferramentas com inteligência, responsabilidade e compromisso com o interesse público. Porque, na nova Administração Tributária, a tecnologia aponta o caminho, mas continua sendo o fiscal quem transforma informação em justiça fiscal.

Salvador, 17 de julho de 2026 | Boletim 3434

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