Boletim Eletrônico nº. 1379 – Salvador, 05 de outubro de 2016

Dificuldade dos bancários na campanha salarial é sinal aos
trabalhadores
Os bancários completaram nesta quarta (05) exatos 30 dias de greve. Esta é a campanha salarial mais difícil vivida pela categoria nos últimos 15 anos. Os bancos privados e públicos endureceram a negociação e não aceitam repor sequer a perda inflacionária acumulada no último ano, que é de 9,62%. Até agora, os bancos ofereceram apenas 7%.
A campanha salarial dos bancários é a primeira de uma grande categoria de trabalhadores no país após o golpe que derrubou o governo de Dilma Rousseff. As forças políticas que assumiram a gestão federal – e por tabela o BB, a Caixa e o BNB -, claramente identificada com o setor empresarial e financeiro, se uniu à Federação dos Bancos para impor uma perda salarial aos bancários. Na última reunião ocorrida entre os dois lados, o setor patronal foi muito claro: não vai haver reposição total das perdas.
Este cenário, de reajustes salariais abaixo da inflação, julgávamos estar no passado. Os próprios bancários vinham conseguido aumentos reais nos últimos anos. A postura dos bancos, que lucraram R$ 30 bilhões no primeiro semestre de 2016, de endurecer a negociação, revela uma clara mudança em sua orientação. Se o fizeram exatamente neste momento, é porque sentiram que a conjuntura permite e lhes é favorável.
Todos, incluindo nós, servidores públicos, devemos estar atentos e alertas diante desta nova conjuntura. A greve dos bancários deve ter todo o apoio das demais categorias de trabalhadores. O fracasso dessa mobilização pode representar uma sinalização ruim, uma vez que, assim como foi a repressão policial e do governo – e posteriormente da Justiça do Trabalho – contra a greve dos petroleiros de 1995 –, o setor patronal e o governo devem ter esta mobilização dos trabalhadores em bancos, de 2016, como um marco na mudança de postura em relação aos reajustes salariais. Seria um recado aos sindicatos.
Não é à toa que o governo federal, que já impôs o PLP 257 e tenta aprovar a PEC 241 (que será um golpe no serviço público), já sinaliza com a redução de salários do funcionalismo. Clique aqui e leia mais. O que se avizinha não é coisa boa.
Mobilização
O Sindicato dos Servidores dos Serviços Auxiliares do Poder Judiciário do Estado da Bahia (SINTAJ) está convidando todos os sindicatos representantes dos servidores públicos baianos para uma manifestação nesta quinta (06), 9h, contra o reajuste zero. O protesto será em frente à Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia (CAB).
Lamentavelmente, o governo baiano se aproveitou do período político conturbado para impor aos servidores públicos o reajuste zero e dar o fato como consumado. Alguns sindicatos, entre os quais o Sindsefaz, não aceitam e demonstram disposição de continuar lutando pela reposição das perdas, que já são de mais de 20% desde 2013.
O Sindsefaz vai estar presente e convida os colegas a também participarem. À luta.
Avançar na Luta

