Boletim Eletrônico nº. 1452 – Salvador, 08 de fevereiro de 2017

Fazenda da Paraíba vai parar após perda salarial chegar a 36%
Os servidores do Fisco da Paraíba decidiram na última terça (07) paralisar as atividades um dia por semana a partir da próxima semana. A categoria reclama das perdas salariais, que chegaram a 36,33% em dezembro/2016. O Fisco paraibano vai adotar também o trabalho em regime de Operação Padrão.
Segundo o presidente do Sindifisco-PB, Manoel Isidro (que presidiu a Fenafisco até 2016), tanto a paralisação semanal, quanto a operação padrão, serão mantidas até que sejam atendidas as demandas da categoria fiscal. “A assembleia superou todas as nossas expectativas, com 330 colegas participando, foi uma decisão bastante coletiva”, disse. O movimento, segundo ele, será forte e visa buscar melhores condições de trabalho e reajuste da remuneração.
Na Paraíba, desde 2011, o governo de Ricardo Coutinho (PSB) vem adotando uma política de reajuste abaixo da inflação. É a mesma política adotada na Bahia, que elege os servidores públicos como os culpados pela crise econômica. Aqui, as perdas são menores, mas chegará ao final de 2017 na casa dos 25% caso mantenha-se o reajuste 0% imposto pelo governador Rui Costa (PT).
Nos últimos dias o governador vem sendo bastante elogiado por sua base política por ter conseguido economizar R$ 1,2 bilhão em despesas no ano de 2016. Essa economia vem sendo feita, essencialmente, nas costas dos trabalhadores, que estão suportando um arrocho que lembra o período carlo-soutista, de triste memória. Ademais, outras medidas provocaram perdas, como o aumento do Planserv e, no caso do Fisco, o corte de diárias e a não revisão das metas do PDF.
Os números da economia do governador baiano, aliás, são muito parecidos com os propagandeados pelo governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB). Lá, a gestão pôs em prática um ajuste fiscal que resultou em um corte de R$ 1,3 bilhão no orçamento de 2016 e baixou decreto com outras medidas de redução de gastos.
Segundo Roberto Simões, cientista político e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a insatisfação trabalhista dos policiais, que deflagraram uma greve com as consequências que estamos assistindo, é resultado do ajuste fiscal do governo. Nesta quarta (08), os policiais civis do estado também paralisaram atividades. O Sindifiscal-ES, em solidariedade aos PMs, emitiu nota na qual pressiona o governador a negociar com os servidores da área de segurança.
BAHIA
Para o Sindsefaz, a paciência do servidor público baiano para com a política de arrocho do governador Rui Costa está chegando ao limite, como já acontece em vários outros estados. Os fazendários, por exemplo, farão assembleia para logo após o Carnaval para aprovar um calendário de lutas e mobilizações para todo o primeiro semestre. Estará em debate, também, a proposta da Fetrab, de paralisação de todas as categorias do serviço públicos estadual.
Neste momento, quando o governador aproveita a desmobilização natural dos servidores por causa do verão e do período pré-carnavalesco – que coincide com as férias de grande contingente de funcionários públicos – para se vangloriar que paga salário em dia e por isso deveria ser elogiado, o Sindsefaz faz alerta. Para a entidade, uma paralisação na Sefaz, por exemplo, tende a agravar o quadro de dificuldades já verificado na arrecadação.
Hoje, lamentavelmente, o governador finge não perceber a necessidade de reajustar os salários dos servidores enquanto a Sefaz empurra com a barriga a solução de diversas pendências para com os seus servidores. Não à toa, 207 colegas (70 Auditores Fiscais, 41 Agentes de Tributos e 96 Técnicos Administrativos) se aposentaram em 2016 e tantos outros estão pedindo aposentadoria no início de 2017 para tocarem suas vidas longe da Secretaria.
Já passou da hora do governador Rui Costa deixar a imaturidade no trato das relações de trabalho e reinstalar a mesa de negociação, estabelecendo conversações sérias e condizentes com sua história política, que ele diz tanto se orgulhar.
Sindsefaz,

