Para especialista, fortalecer o Estado passa pela valorização dos servidores públicos

O futuro do Estado brasileiro não será definido apenas por novas tecnologias, reformas administrativas ou investimentos em infraestrutura. Para o sociólogo e economista Clemente Ganz Lúcio, consultor do Sindsefaz e um dos maiores especialistas em relações de trabalho do país, o principal ativo da administração pública continua sendo as pessoas que transformam políticas públicas em direitos para a população.

A reflexão foi apresentada durante o Encontro Nacional de Gestão de Pessoas (ENGP 2026), promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) e dialoga diretamente com debates que o Sindsefaz vem promovendo ao longo de seu projeto Diálogos Produtivos, realizado nas comemorações dos 30 anos da entidade.

Segundo Clemente, antes de discutir modelos modernos de gestão de pessoas, é preciso responder a uma pergunta fundamental: “Gestão de pessoas para qual Estado?” Na visão do pesquisador, a resposta passa pela construção de um Estado social, democrático e capaz de promover desenvolvimento econômico, justiça social e melhoria da qualidade de vida da população. “O Estado precisa desenvolver capacidades institucionais, técnicas, operacionais e relacionais para enfrentar os desafios contemporâneos”, afirma ele.

Alicerce do Estado

Para o especialista, toda política pública depende diretamente dos servidores públicos. São eles que transformam leis em serviços, orçamento em políticas públicas e planejamento em ações concretas para a população. “São os trabalhadores do setor público que transformam objetivos estratégicos em políticas públicas, leis em direitos e recursos públicos em serviços prestados à população”, diz, Clemente.

Essa reflexão nos remonta diretamente à realidade da Secretaria da Fazenda da Bahia. Os fazendários desempenham papel estratégico para o funcionamento do Estado. É por meio da arrecadação tributária, da fiscalização, do controle das contas públicas e da gestão financeira que o governo viabiliza investimentos em saúde, educação, segurança, infraestrutura e programas sociais.

Planejamento

Entre os principais desafios apontados por Clemente Ganz Lúcio está a necessidade de planejamento da força de trabalho. Segundo ele, o Brasil perdeu capacidade de planejar a renovação de seus quadros, situação que provocou envelhecimento das equipes, perda de competências e dificuldades para reposição de servidores.

O tema tem sido acompanhado de perto pelo Sindsefaz. Nos últimos meses, a entidade intensificou o diálogo com o Governo do Estado para defender a realização dos concursos públicos da Secretaria da Fazenda, alertando para o crescimento das aposentadorias e para a evasão de servidores para carreiras mais atrativas em outros estados.

Na avaliação do Sindicato, recompor os quadros da Administração Tributária não é apenas uma demanda corporativa. Trata-se de uma medida essencial para garantir a capacidade do Estado de financiar políticas públicas e prestar serviços de qualidade à população.

Pessoas é patrimônio

Ao concluir sua análise, Clemente reforça que gestão de pessoas não deve ser tratada apenas como atividade administrativa. “Investir em gestão de pessoas que trabalham no setor público é investir na promoção de quem, em nome do Estado, cria condições para alavancar o desenvolvimento do país”, prega ele.

A discussão reforça um princípio que o Sindsefaz vem defendendo em suas atividades de formação política, que o fortalecimento do serviço público passa necessariamente pela valorização dos servidores e pelo reconhecimento de que são eles os responsáveis por transformar as políticas do Estado em benefícios concretos para toda a sociedade.

Numa próxima matéria abordaremos outro ponto destacado por Clemente Ganz Lúcio: os impactos da inteligência artificial, da transformação digital e das novas competências exigidas dos servidores públicos no século XXI.

Salvador, 29 de junho de 2026 | Boletim 3410

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