Trágico acidente em frente ao Honorato Viana tira a vida do colega Osmário Mendonça

Fazendário estava de plantão quando foi atropelado ao atravessar a BR-324 entre os dois módulos do posto fiscal. Delegado sindical do Sindsefaz, ele próprio já havia cobrado medidas para tornar mais segura a travessia dos colegas

É com profunda tristeza e pesar que o Sindsefaz registra o falecimento do nosso colega Osmário Mendonça, Agente de Tributos Estaduais, vítima de um trágico atropelamento na noite deste sábado (05), em frente ao Posto Fiscal Honorato Viana, na BR-324, em Candeias. Osmário estava de plantão e atravessava a rodovia para se deslocar entre os dois módulos do posto quando foi atingido por uma motocicleta. O sepultamento de seu corpo acontece neste domingo (06), no cemitério Bosque da Paz.

Osmário tinha 66 anos, ingressou na Secretaria da Fazenda da Bahia em fevereiro de 1992 e já se encontrava próximo da aposentadoria. Há anos lotado no PF Honorato Viana, conhecia como poucos a realidade e os riscos enfrentados diariamente pelos servidores daquela unidade. Delegado sindical do Sindsefaz, era um companheiro presente, combativo e incansável na defesa da categoria.

Segundo relatos dos colegas, no sábado Osmário trabalhava no módulo localizado no sentido Feira de Santana–Salvador. Pouco depois das 18h, avisou que atravessaria a rodovia para jantar no refeitório, situado no módulo do sentido contrário, e que retornaria por volta das 19h. Não voltou.

Havia movimentação provocada por um acidente em frente ao posto, mas os colegas que permaneciam em serviço não perceberam naquele primeiro momento que a vítima era Osmário. Com o passar do tempo e diante de sua ausência, foram procurar saber o que havia acontecido. Veio então a notícia que ninguém gostaria de receber: o colega que não retornara do jantar era a vítima do atropelamento.

De acordo com informações da CIPFaz, o acidente ocorreu por volta das 18h, quando Osmário atravessava a BR-324. A Guarda do Posto Fiscal percebeu a ocorrência e imediatamente iniciou a sinalização da rodovia, acionando a Polícia Rodoviária Federal, o DNIT e o serviço de socorro. O condutor da motocicleta foi atendido, enquanto a equipe de salvamento do DNIT constatou o óbito do fazendário. O Departamento de Polícia Técnica realizou a perícia e a remoção do corpo por volta das 21h.

Morte revoltante

A notícia da morte de Osmário espalhou tristeza pela Sefaz-BA. Ainda na noite de sábado, dezenas de mensagens chegaram aos dirigentes do Sindicato. Eram colegas consternados com a perda, lembrando sua convivência, seu trabalho e sua atuação sindical. Mas, junto com a tristeza, apareceu também um sentimento profundo de revolta.

Isso porque os riscos existentes no Posto Fiscal Honorato Viana não eram desconhecidos. Há tempos servidores e o próprio Sindsefaz vinham alertando para as condições de segurança da unidade e, particularmente, para o perigo representado pela necessidade de atravessar a BR-324 para ir de um módulo ao outro. E entre aqueles que cobravam providências estava justamente Osmário Mendonça.

Como delegado sindical, ele havia encaminhado mensagens cobrando da Sefaz-BA medidas para tornar mais segura a rotina dos colegas. Entre as reivindicações estavam a construção de uma passarela para a travessia da rodovia, melhoria da iluminação e disponibilização de coletes refletivos para os servidores.

Em 3 de março deste ano, Osmário voltou a cobrar providências. Em mensagem encaminhada à Administração, pediu que fosse mantida permanentemente uma viatura da Secretaria no local para possibilitar o deslocamento entre os módulos, especialmente em períodos de chuva e também por razões de segurança. Veja abaixo.

Seis meses depois, Osmário perdeu a vida justamente ao fazer o percurso sobre o qual tantas vezes alertou.

Travessia perigosa

O Honorato Viana está dividido pelos dois sentidos da BR-324. Para acessar estruturas localizadas no lado oposto da rodovia, os servidores precisam enfrentar uma via de intenso fluxo de veículos. Embora haja sinalização estabelecendo limite de 60 km/h no trecho, colegas relatam que é comum a passagem de veículos em velocidade superior. O local já contou com equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade, posteriormente retirados.

A situação do posto também já havia sido objeto de matéria produzida pelo Sindsefaz no dia 06 de junho de 2025 (veja link abaixo), através da qual a entidade mostrou os problemas enfrentados pelos servidores naquela unidade, inclusive a insegurança da travessia, cobrando providências da Administração. Na ocasião, em vez de o alerta provocar a resposta que o Sindicato esperava, setores da Administração criticaram a abordagem da entidade, acusando-a de fazer sensacionalismo e de expor a Secretaria.

LEIA MAIS
PF Honorato Viana vive “crônica de uma morte anunciada”

Depois do que aconteceu neste sábado, aquela discussão ganha um significado dolorosamente diferente.

Tragédia anunciada

É difícil não lembrar de “Crônica de uma Morte Anunciada”, obra do escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura de 1982. O título do livro foi usado pelo Sindicato na matéria publicada em 06 de junho de 2025. No romance, a morte de Santiago Nasar é precedida por uma sucessão de avisos, circunstâncias e oportunidades perdidas de impedir aquilo que todos sabiam que poderia acontecer.

Guardadas as evidentes diferenças entre a ficção e a realidade, há uma pergunta que a morte de Osmário impõe à Sefaz-BA: quantos alertas são necessários para que uma situação de risco seja enfrentada?

No Honorato Viana, os servidores conheciam o perigo da travessia. O Sindicato havia denunciado as condições do posto. Osmário havia solicitado uma passarela, iluminação, equipamentos de segurança e até uma viatura para o deslocamento entre os módulos.

Agora, o servidor que ajudava a fazer esses alertas não está mais entre nós.

A apuração das circunstâncias específicas do atropelamento caberá às autoridades competentes. Mas há algo que independe dessa investigação: as advertências sobre os riscos enfrentados pelos trabalhadores existiam antes da tragédia. E não podem continuar sem resposta.

Osmário presente

Neste momento de profunda tristeza, os diretores e colaboradores do Sindsefaz se unem à família de Osmário, aos seus amigos, colegas de trabalho e a toda a família fazendária na dor por uma perda tão brutal.

Mas o luto não pode significar silêncio.

O Sindsefaz cobra da direção da Sefaz-BA que as reivindicações relacionadas à segurança, condições de trabalho e estrutura dos postos fiscais sejam tratadas com a urgência que sempre deveriam ter recebido. As medidas necessárias no Honorato Viana precisam ser adotadas imediatamente, assim como é indispensável avaliar as condições das demais unidades onde servidores continuam expostos a riscos durante o exercício de suas funções.

Nenhuma providência devolverá Osmário à família, aos amigos e aos colegas. Mas agir agora pode impedir que outra família fazendária tenha de enfrentar uma dor como esta.

Osmário Mendonça, presente!

Salvador, 06 de Setembro de 2026 | Boletim 3466

Compartilhe:
Entre em Contato

Rua Maranhão, nº 211 - Pituba
Salvador - Bahia | CEP: 41.830-260

Redes Sociais

Sindsefaz na Mídia

Você já é filiado?

Faça o seu Cadastro!
Rolar para cima