Boletim Eletrônico nº. 1376 – Salvador, 03 de outubro de 2016

Resultado eleitoral deve deixar servidor público em alerta

Uma das certezas ao olharmos o resultado eleitoral de 2 de outubro é que as forças políticas que na década de 90 do século passado e início dos anos 2000 implementaram no Brasil o projeto neoliberal saíram fortalecidas. Apesar do PMDB não ter conseguido colher, como comandante do golpe de abril de 2016, os votos para afirmar seu projeto golpista, a vitória de segmentos da direita tradicional e do PSDB em várias cidades importantes representa um enorme risco ao serviço público, aos direitos do funcionalismo e às conquistas dos trabalhadores.
João Dória Jr, vencedor em São Paulo, fez campanha anunciando que, na Prefeitura da capital paulista, vai privatizar tudo o que puder. Quem não tem casa de aranha na memória deve se lembrar bem do que representou a privataria da era FHC, que transferiu patrimônio público para a iniciativa privada amiga a preço de banana. Era a época do discurso hipócrita de acabar com monopólios estatais para melhorar a qualidade dos serviços. Hoje, sabemos que, em muitas áreas, saímos do monopólio do estado para o cartel privado e que, apesar do alto cust o cobrado, a qualidade oferecida não é condizente com o valor que pagamos.
Em paralelo à entrega do que é público à sanha do lucro privado, os neoliberais promoveram severo ataque aos direitos do funcionalismo e dos trabalhadores em geral. Foi um período de arrocho salarial, de criminalização das lutas (vide a greve dos petroleiros de 1995). Na Fazenda, é vivíssimo o redutor salarial, o arrocho ao fisco e ao grupo técnico, a penalização dos aposentados e pensionistas e a política de privilégios a um pequeno grupo na Sefaz.
A prática nefasta contra o patrimônio público e contra os direitos do povo é o que vem primeiro à cabeça com os resultados eleitorais. O servidor público pode se preparar que estaremos vivendo um novo ciclo de ataques e arrocho, pior do que estamos enfrentando neste momento por conta da crise econômica. As elites econômicas, que estão representadas pelos vencedores do pleito de 2 de outubro, vão aproveitar a “legitimidade” das urnas para avançar com o seu PLP 257, PEC 241, reforma da Previdência, reforma trabalhista, entre outras mazelas que es tão sendo anunciadas. Elas vão correr para viabilizar suas intenções antes que os setores políticos ligados progressistas e os próprios trabalhadores consigam reagir.
A festa da democracia acabou tão logo a apuração se encerrou. Não haverá alegria nos tempos que se avizinham. E é bom o trabalhador brasileiro – o servidor público em particular – se dê conta disso.
REAGIR
Disse o poeta, que reage primeiro para seguir a história aquele que sorri toda vez que o mundo lhe diz não. O Sindsefaz, ao reconhecer a conjuntura difícil que teremos pela frente, aponta a necessidade de nossa luta como única forma de superar as adversidades e reverter o quadro. Não há que se baixar a cabeça, há sim que fortalecer a unidade e o Sindicato para enfrentar qualquer ataque que venha contra nossos direitos e conquistas.
Já nessa semana a diretoria da entidade inicia uma série de visitas aos locais de trabalho, na capital e no interior, para debater com a categoria a conjuntura do país e do Estado, bem como os graves problemas que temos hoje na SEFAZ-BA, em especial o modelo de fiscalização. É hora de sacudir a poeira e seguir, com força e garra.
Avançar na Luta

