Boletim Eletrônico nº. 1414 – Salvador, 30 de novembro de 2016
Painéis debatem reformas e perspectivas políticas e econômicas

Palestrantes do XVII Conafisco, nesta terça (29), apresentaram um cenário muito pessimista para o Brasil nos próximos anos, diante das reformas propostas pelo atual governo e a ausência de projeto para a economia. No primeiro painel realizado no dia, a pesquisadora do IPEA, Fabíola Sulpino Vieira e o deputado federal Décio de Lima (PT) apresentaram opiniões muito críticas, em especial quanto a PEC 55 (antiga 241), que foi aprovada em 1º turno no Senado. Nosso diretor jurídico, Joaquim Amaral, foi um dos membros da mesa.
Especialista em políticas públicas e gestão governamental do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, Fabíola Sulpino afirmou que a PEC 55/16 o caminho “para a redução da participação do Estado no desenvolvimento econômico e social do Brasil”. Munida de gráficos e tabelas comparativas, ela mostrou que o regime proposto pela Emenda Constitucional vai terminar por eliminar o papel do Estado em áreas fundamentais para a sociedade, como saúde e educação. Aliás, esta é a opiniã o que o Sindsefaz já vem apontando há tempos em seus informativos. Clique aqui e aqui.
Por sua vez, o deputado Décio Lima (PT-SC), que é o autor da PEC 186, que trata a autonomia do fisco, citou, além da PEC 55, a retirada de direitos propostos pelas reformas previdenciária e a trabalhista. Ele disse que o ajuste fiscal proposto desenha um modelo de divisão do país, que retira do Estado atribuições que são de sua competência. Para o parlamentar de Santa Catarina, as medidas visam favorecer banqueiros e rentistas, ao mesmo tempo em que penaliza o trabalhador, preca riza o serviço público e retira da sociedade o direito à cidadania.
SEM PERSPECTIVA
Já o jornalista especializado em economia, Luis Nassif, palestrando sobre o tema “Perspectivas Políticas, Sociais e Econômicas do Brasil”, pintou um cenário trágico sobre o futuro da economia com o atual modelo do governo. Para ele, as medidas tomadas são equivocadas, pois todas apontam para o aumento da crise e do desemprego. O editor do Jornal GGN afirmou que em vez de atacar os problemas que provocaram a atual situação econômica do país, a gestão Temer está usando um remédio que vai aprofundar a recessão.
Nassif defendeu que a saída para o Brasil é aumentar os investimentos públicos, destravar o crédito e reduzir a taxa de juros. Ele disse que o governo Temer, com a PEC 55, está retirando o Estado de seu papel indutor. Afirmou que o governo estrangula as empresas ao diminuir as funções dos bancos públicos e que o modelo dos economistas “cabeça de planilha”, que defendem o combate da inflação somente com juros altos, já mostrou que não dá certo e está apenas transferindo grandes parcelas dos recursos do país para o setor bancário.
Ao falar sobre o governo Temer, o jornalista declarou que não há um projeto para recuperar o país. Ele disse que o que unificava os grupos que promoveram o impeachment era derrubar Dilma e o PT. Passada essa fase, se verifica uma confusão, com denúncias de corrupção e tráfico de influência se generalizando na gestão e os principais ministros envolvidos na Lava Jato e em outros processos. Para Nassif, é difícil pintar um cenário, porque a conjuntura vem mudando muito rapidamente, mas que para retomar a normalidade política será preciso um pacto que tenha legitimidade para implementar as medidas que possam recuperar a economia e apontar um cenário de crescimento.
Ele foi enfático: o governo Temer acabou!
Sindsefaz,
Avançar na Luta

